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Flexibilidade

07/10/2011

Quando você diz que alguém é flexível ou quando pensa em sua própria flexibilidade, em que você pensa?

Conseguir por o dedão do pé na boca? Por a perna atrás do pescoço?  Na abertura de pernas da bailarina?

Antes de fazer a formação no Método Feldenkrais, eu dava aulas de dança, e ficava muito aflita vendo os meus alunos querendo caber em formas pré moldadas, pela imaginação ou por imposição cultural, de como cada movimento deveria ser, do tanto de abertura de pernas que deveriam ter. Ou da altura que a perna deveria alcançar.

Estavam sempre competindo com a imagem ideal que haviam construído de si mesmo.

Não importava o que eu dizia, cada um tinha uma meta imaginada a ser alcançado, independente da organização pessoal ou da estrutura de cada um.

Mas eu mesma, quando fazia aula de dança, achava que minha abertura não era boa, me forçava para conseguir distanciar uma perna da outra para conseguir um espacate igual ao daquela bailarina maravilhosa!

Também queria me dobrar prá frente e encostar o cotovelo no chão, a mão não bastava.

Como se tornar flexível? Forçando, insistindo, até… conseguir e/ou se machucar?

Nesta época eu já estava interessada no Método Feldenkrais e consegui um livro chamado “The Elusive Obvious” (não temos a tradução deste livro em português) e lendo-o cheguei a uma frase que me fez decidir por ir para a formação: “Estou atrás de cérebros flexíveis e não de corpos flexíveis”

Não sabia se tinha entendido direito o que queria dizer, mas achei genial e entendi que era por aí que gostaria de seguir.

Feldenkrais desenvolveu sua metodologia interessado em como aprendemos a aprender.

Como um trabalho de educação do movimento, ou mais precisamente, de educação somática, pode ensinar alguém a aprender e o que isto tem a ver com flexibilidade?

Uma das características principais do trabalho é a exploração de movimentos, durante as quais aprendemos a fazer escolhas. Este é um momento de pesquisa pessoal, que cada um conduz. O objetivo não é o movimento em si, mas descobrir o que é possível aprender com ele.

Aprender a observar e sentir, durante a ação, como fazemos os movimentos e dentre as opções, qual nos parece a melhor.

O fato de diminuir o ritmo, fazer uma pausa para observar como fazemos e sentir os resultados, já é uma mudança radical na nossa vida.

Ele dizia: “Para se ter uma boa idéia é preciso ter muitas”.

Se você faz, qualquer coisa que seja, de uma única maneira, a tua ação é quase compulsiva, sem opção, sempre da mesma maneira.

Se você pode escolher entre agir ou não agir, preto ou branco, ainda é sem opção: é simples sim ou não.

Agora, se você pode escolher entre pelo menos três maneiras diferentes, então, começa o exercício da opção, de sentir qual o melhor naquele momento.

“Pensar é encontrar novas maneiras de fazer”, a princípio não importa se é bem feito, bonito, de acordo. O importante é fazer de outro jeito, de muitos jeitos, então você terá alternativas à sua escolha.

Você estará bem mais perto de um corpo flexível, em que os movimentos são possíveis porque foram aprendidos pela experiência e não copiados de modelos externos.

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